Pandemia exige rapidez e evidencia a necessidade de boas práticas nos estudos científicos

Pandemia exige rapidez e evidencia a necessidade de boas práticas nos estudos científicos

O Comitê de Integridade Científica e Boas Práticas em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto busca informar e orientar pesquisadores sobre ética, responsabilidade, transparência e honestidade no “fazer” ciência

A pesquisa científica tem papel fundamental para o desenvolvimento e, como evidenciado pela pandemia de covid-19, sobrevivência da humanidade. De acordo com o professor Ricardo Brandt de Oliveira, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, que presidiu o Comitê de Integridade Científica e Boas Práticas em Pesquisa (CIP) da Unidade até maio de 2021, a  importância das boas práticas em pesquisa vem crescendo em função do aumento, nas últimas décadas, do volume e da complexidade do empreendimento científico, que envolve números crescentes de atores e de interesses. Oliveira chama a atenção para o que chama de integridade científica, um conjunto de valores e princípios éticos que, pautados pela honestidade, transparência e responsabilidade, deve ser observada por todo pesquisador, independentemente do contexto.

Segundo Oliveira, muitos esforços para desvendar e combater o novo coronavírus e suas consequências são bem-sucedidos e vêm se traduzindo em enormes benefícios para a humanidade. Entretanto, “a ânsia pela busca de resultados imediatos cria um terreno fértil para tentações por atalhos que constituem violações às boas práticas em pesquisa e podem conduzir a conclusões equivocadas e, consequentemente, a prejuízos de várias naturezas. Apesar da urgência, boas práticas em pesquisa não devem ser esquecidas durante a pandemia, para garantia da excelência dos trabalhos e, consequentemente, dos benefícios para a sociedade”.

Esse comportamento ético deve estar presente em todas as etapas do estudo, como no planejamento e execução do estudo, análise e gerenciamento de dados, publicação e divulgação dos resultados, definição de autoria e de outras formas de reconhecimento de participação, e, ainda, na pesquisa colaborativa e no conflito de interesses. “Os pesquisadores sêniores têm grande responsabilidade no processo de difusão dessas práticas, em virtude de, no exercício de orientação e supervisão, constituírem modelos de conduta para os pesquisadores em formação.”

Com esse cenário criado pela pandemia, o CIP realizou várias ações para alertar a comunidade científica da FMRP sobre diversos aspectos da integridade, como a qualidade da difusão das informações e lembrar das orientações da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Esses informes e comunicados disponibilizados pelo Comitê podem ser acessados no site do CIP.

O CIP e a  promoção da Integridade científica na FMRP

A necessidade de garantir o conhecimento sobre a integridade científica e as boas práticas em pesquisa foi um dos principais motivos para a profa. Margaret de Castro, diretora da FMRP criar, em janeiro de 2020, um órgão específico para o tema, o CIP, com o intuito de familiarizar e fortalecer as informações sobre noções de integridade e boas práticas em pesquisa e, assim, contribuir para o aperfeiçoamento da pesquisa científica realizada na FMRP”, conta o professor Oliveira.

O trabalho do CIP consiste na divulgação de leis, normas e regulamentos; organizar e ministrar eventos; oferecer esclarecimentos para os pesquisadores; zelar pela preservação adequada e eficiente dos dados referentes às atividades de pesquisa; prevenir violações, como plágio e falsificação. Além disso, o CIP recebe e apura denúncias de má conduta em pesquisa no âmbito da FMRP. “Nós analisamos inclusive as suspeitas formuladas verbalmente em caráter sigiloso, garantindo tratamento justo e eficaz a todos os casos, e damos ciência à diretoria em casos de má conduta comprovada”, finaliza.

Atualmente a presidente da CIP é a professora Paula Andrea de Albuquerque Navarro do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da FMRP.

Mais informações: cip@fmrp.usp.br