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Foto: Danilo Domingos Marques

Preparação vocal e psicológica do canto tem impacto positivo na vida de cantoras na pandemia

canto clássico
Ópera La Serva Padrona de G. B. Pergolesi apresentada no Teatro do Campus de Ribeirão Preto com a USP Filarmônica. Na foto de Danilo Domingues Marques, Yuka de Almeida Prado e Alexandre Mazzer.

Além de decretar a obrigatoriedade do uso de máscaras e higiene das mãos, as autoridades mundiais cancelaram apresentações culturais presenciais para não gerar aglomerações e, consequentemente, novos casos da covid-19. Dessa forma, artistas, como os cantores clássicos, foram afetados pela impossibilidade de estarem no palco e interagirem com o público e colegas de profissão durante a pandemia.

Pesquisadores da USP em Ribeirão Preto descobriram que o isolamento social não teve impacto relevante nos aspectos emocionais e vocais de cantoras clássicas na quarentena. “Mesmo com a paralisação das atividades presenciais, as cantoras investigadas conseguiram manter um padrão de qualidade vocal por meio da dedicação nos estudos do canto”, conta a professora Lilian Neto de Aguiar Ricz, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e uma das autoras do trabalho Effect of Covid-19 Quarantine on Voice Handicap Index in Female Classical Singers.

As participantes possuem pelo menos um ano de experiência profissional na área do canto e o estudo revelou que, mesmo durante a pandemia, foi grande a dedicação das profissionais, com um tempo médio de seis horas semanais de estudos.

Além de desenvolverem técnica vocal e disciplina, os cantores clássicos trabalham com habilidades diversas, como atuação, coordenação corporal, apresentação e comunicação da emoção e do significado da música ao público; e mais, a capacidade de manter a sua saúde vocal e qualidade de vida é essencial para uma performance vocal de excelência. De acordo com Lilian, esses quesitos fundamentais para uma boa preparação para o palco justificam que esses profissionais não sintam, de tal maneira, o impacto negativo na voz  profissional durante a quarentena.

Para obter esses resultados, os pesquisadores aplicaram um questionário autoavaliativo on-line de identificação e de informações, como tempo de experiência no meio musical, canto, estudo e ensaio para 55 cantoras clássicas. As participantes preencheram o protocolo Classical Singing Handicap Index (CSHI) adaptado para o contexto de pandemia. O material possui 30 questões divididas em três vertentes: incapacidade do domínio funcional; desvantagem do domínio emocional; e comprometimento do domínio associado à autopercepção das características da emissão vocal.

O estudo, financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), foi publicado pelo Journal of Voice em dezembro de 2020. O trabalho também conta com a autoria da professora Maria Yuka de Almeida Prado, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), e dos pesquisadores Bruna Rodrigues Prior, da FMRP, e Jônatas Augusto Cursiol, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP), todos da USP.

Mais informações: liricz@fmrp.usp.br