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Curso sobre gênero da Rede Não Cala conta com a participação de professoras da FMRP

Curso sobre gênero da Rede Não Cala conta a participação de Professoras da FMRP

Professoras da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP foram palestrantes do curso de difusão da Rede Não Cala USP que abordou o tema Problemas de Gênero. Os encontros com docentes de todas as áreas do conhecimento tiveram como objetivo oferecer análises introdutórias aos problemas relacionados ao conceito de gênero, para um público alvo de estudantes, professores e funcionários da USP.

O curso, que começou no dia 8 de outubro e foi finalizado no dia 26 de novembro, contou com as participações das professoras Maria Paula Panúncio Pinto (Departamento de Ciências da Saúde); Elisabeth Meloni Vieira (Departamento de Medicina Social) e da pós-graduanda Deise Maito, do mesmo departamento; todas da FMRP.

O evento on-line contou com mais de 120 pessoas e 80 inscritos e foi realizado às terças e quintas-feiras. “O fato de ter sido oferecido em formato online abriu a possibilidade para que profissionais de diversas áreas, interessados e interessadas no assunto, pudessem acompanhar as pesquisas desenvolvidas pelas professoras ligadas à Rede Não Cala o que, para nós, foi uma excelente experiência”, afirma a professora Silvana de Souza Ramos, que é uma das organizadoras do evento.

Os encontros aconteceram com aulas expositivas, leituras e discussão de textos, debate, análise de filmes, apresentação de casos e depoimentos. “É importante salientar que houve um enorme interesse pelo curso: as vagas foram preenchidas em poucos minutos, quase que instantaneamente”, conta.

O curso debateu diversas questões, como: gênero e sexualidades; gênero, corpo e produção de subjetividade; feminismos negros e intelectuais negras; natureza e criação; masculinidades e machismo; gênero e saúde; gênero e violência; gênero e direito; gênero e educação; gênero e mídia; gênero, literatura e psicologia; gênero, corpo e esporte; gênero, modernidade e capitalismo; e relações de gênero na Universidade.

De acordo com a organizadora, a experiência foi inovadora por permitir uma verdadeira troca de vivências e de conhecimento entre as mais variadas áreas do saber e pela participação de alunos/as e monitores/as, que levantaram questões, partilharam bibliografias e experiências e vivenciaram uma verdadeira partilha do saber. “Creio que a experiência desse curso é um marco na atuação da Rede Não Cala, mas também um marco na experiência de ensino e pesquisa para aquelas que estavam nele envolvidas. Por isso, já estamos trabalhando na organização de uma publicação dos conteúdos produzidos e em novas edições do curso para o próximo ano”, completa.

Rede Não Cala

A Rede de Professoras e Pesquisadoras pelo Fim da Violência Sexual e de Gênero na USP é um movimento social de combate à violência sexual e de gênero nos diversos departamentos da Universidade. “A primeira reunião aconteceu em abril de 2015 na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e reuniu cerca de 80 professoras, que já trabalhavam com questões de gênero, feminismo, mulheres ou direitos humanos”, conta a professora Heloisa Buarque de Almeida, que é uma das coordenadoras da Rede.

Atualmente, a Rede Não Cala possui mais de 200 participantes e nasceu da necessidade que as professoras sentiram de enfrentar e não se calar diante de situações de violência na Universidade.

O grupo atua em três eixos: debater a ideia de criação de um centro de referência com profissionais capacitados para atender, de forma integral, pessoas que se sentiram agredidas; criar ideias para a reformulação das sindicâncias e processos administrativos da instituição; e desenvolver ações educativas de conscientização para a comunidade USP.

Heloisa conta que a Rede foi uma iniciativa importante para dar visibilidade ao tema em outras instituições de ensino. “Tivemos um impacto positivo nas universidades públicas estaduais e federais, mas cada uma terá que enfrentar a questão internamente com o objetivo de diminuir a violência”, afirma.

Além disso, ela destaca que os coletivos e o movimento feminista foram essenciais para o grupo. “Algumas violências eram naturalizadas e hoje as mulheres conseguem ter uma reflexão maior do que é violência e agressão, porque tem uma noção maior de direitos”, finaliza.