Pesquisadores da FMRP-USP descobrem remédio que cura um dos sintomas do mal de parkinson

img_1203008210_278_lgO Fantástico do último domingo, 07.09.14, apresentou os resultados de um estudo científico inédito no mundo. Pesquisadores brasileiros, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, descobriram um remédio que cura um dos sintomas do Mal de Parkinson. Mas aí que começa a polêmica: o remédio é feito a partir de uma substância encontrada na maconha, o canabidiol.

Assista a matéria completa exibida no “FANTÁSTICO” no dia 07.09.14  VÍDEO

As pessoas do vídeo acima estão sonhando. Mas não era pra gente saber com o que elas estão sonhando. Elas chutam, dão pontapés e fumam um cigarro imaginário. Esses pacientes têm um transtorno durante a fase mais profunda do sono, o ‘sono rem’, qualquer um pode ter esse problema. Mas ele é também um dos primeiros sintomas Doença de Parkinson.

“60% dos parksonianos têm essa alteração. Aí, você tem pessoas que, por exemplo, sonham que estão sendo assaltadas e que começam a lutar. Então você está com sua esposa do lado, você pode agredi-la, pode cair da cama, pode sofrer lesões muito sérias”, destaca Jaime Hallax, da USP de Ribeirão Preto.

Até hoje, não existia um remédio 100% eficaz que não tivesse efeitos colaterais nos pacientes com Parkinson.

Durante oito semanas, pesquisadores do campus de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo analisaram o sono de 21 pacientes. Agora, no fim do estudo, eles estão animados com que acreditam ser a descoberta de um novo uso medicinal do canabidiol, substância encontrada na maconha, proibida no Brasil.

Os pesquisadores deram o canabidiol, que também é conhecido como CBD, para essas pessoas com Parkinson. E os problemas para dormir desapareceram. Em todas elas.

“100% dos pacientes que tomaram canabidiol, que tinham essa alteração, tiveram essa alteração resolvida”, diz Jaime Hallax.

Outros sintomas do Parkinson são: a tremedeira, rigidez nos músculos, e em alguns casos, depressão e demência.

Os neurônios mais afetados pela doença são os que produzem a dopamina, que ajuda a regular os movimentos, as emoções, o raciocínio, o sono e a memória. E é nessa região que o canabidiol atua, segundo os pesquisadores de Ribeirão Preto. Isso melhora a qualidade de vida dos pacientes.

A alteração do sono foi só o primeiro objeto de estudo. Os cientistas agora investigam se outros sintomas do Parkinson também podem ser tratados com a ajuda do canabidiol.

“O canabidiol também deve ter ação direta no Parkinson, isso também está sendo testado”, explica Jaime Hallax.

Eles acreditam que o remédio pode atrasar ou até mesmo impedir o surgimento da doença. Isso porque a agitação durante do sono costuma aparecer muito tempo antes dos outros sintomas. É como um alerta de que a doença está para aparecer.

“Você imagina você com 30 anos de idade, começa a ter um transtorno desse, sabendo que daqui a 20 anos você pode ter um Parkinson, uma demência, você poderia ter isso impedido ou, pelo menos, retardado em 10, 15 anos para aparecer. Sua vida melhoraria muito mais”, ressalta Jaime Hallax.

Agora, apesar de proibido no Brasil, a Anvisa liberou a importação do canabidiol para 57 famílias brasileiras, até agora.

A da Anny foi a primeira delas. Ela tem uma síndrome rara, e chegava a ter 20 crises de epilepsia por dia. Em março, os pais da Anny apareceram no Fantástico. Eles contaram que importavam a substância ilegalmente dos Estados Unidos. A história deles também foi contada em um documentário, que estreia em outubro.

Com o canabidiol, a Anny parou totalmente de ter convulsões. E hoje, é outra menina. Essa foi a primeira vez que ela sorriu, depois de anos. E agora arrisca até alguns passos com a ajuda da mãe.

“Quando a gente colocava ela sentada, ela não segurava a cabeça. Desabava, ficava pendida assim para frente. Hoje ela consegue segurar a cabecinha”, diz Katiele Fischer, mãe da Anny.

Nos Estados Unidos, o canabidiol é vendido sem receita, como suplemento alimentar. Uma pastinha, feita da folha da maconha, é livre do THC, que é a substância que dá o efeito psicotrópico. Ou seja, o canabidiol não altera os sentidos.

Fantástico: Depois de terem conseguido isso tudo agora, como é que vocês se sentem? Katiele Fischer: Aliviados. E muito felizes em receber depoimentos de pais que viram a história da Anny e que correram atrás e as crianças estão melhorando.

A família da Gabi foi uma delas. “Tinha dia que tinha 20 convulsões”, diz o pai de Gabi.

Em tabelas que ficam no quarto dela, dá para ver como o número de convulsões por dia diminuiu. Só que para o canabidiol chegar na casa deles, a burocracia é muito grande. O Rosivaldo guarda na geladeira o finalzinho do remédio como se fosse um tesouro.

“A gente tem a medicação só até amanhã. Só até amanhã. Mais um dia”, comenta Leila Weschenfelder, mãe da Gabi.

Eles já compraram mais. Mas demora para chegar.

“Nós temos o remédio lá em Campinas e não está chegando para gente devido a burocracia”, explica Leila.

Essas famílias autorizadas têm hoje dois jeitos de comprar o canabidiol. Através da remessa expressa, o produto chega na porta de casa. Mas tem que pagar 60% de imposto sobre o valor do produto, que já não é barato. Ele custa cerca de R$ 850, um tubinho de três gramas. Para a Gabi, dura 40 dias.

Para não pagar o imposto, o outro jeito é ir buscar o remédio no aeroporto de Viracopos, no interior de São Paulo. As famílias podem ir pessoalmente ou contratar um despachante. Elas querem que esse processo seja facilitado.

“A gente não quer mais o canabidiol como última alternativa. A gente acredita que a gente deva ter o canabidiol, a escolha, até como primeira opção”, destaca Norberto Fischer, pai da Anny.

As pesquisas com o canabidiol estão só no começo. Elas são uma esperança para quem sofre de Parkinson e uma saída para famílias como a da Anny e a da Gabi darem aos filhos a melhor vida que eles possam ter. A recompensa desse esforço vem em grandes doses.

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/09/substancia-extraida-da-maconha-pode-tratar-um-dos-sintomas-do-parkinson.html

 

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