Pesquisa da FMRP mostra dificuldades do acesso de pacientes com obstrução biliopancreática à rede hospitalar

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O acesso dos pacientes com obstrução biliopancreática à rede pública de saúde está muito além do estipulado pelos protocolos clínicos, mostra estudo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Em média, o tempo de espera entre a procura por uma unidade de saúde e o início do tratamento hospitalar pode ser de três a quatro meses. O tempo recomendado é de, no máximo, 15 dias.

A pesquisa identificou as diferentes formas de acesso ao diagnóstico e tratamento de pacientes com colelitíase (pedra na vesícula), litíase na via biliar (pedra no canal da vesícula) e neoplasia ampolar e periampolar (câncer de pâncreas), encaminhados ao Hospital das Clínicas da FMRP. São três doenças distintas, com sintomas parecidos e que causam a obstrução biliopancreática, mas o tratamento para cada uma é diferente.

“Por provocar inflamação e/ou infecção agudas, a obstrução biliopancreática tem, nas formas graves, elevadas taxas de mortalidade. Por isso, se recomenda que o diagnóstico e o planejamento terapêutico sejam providenciados de imediato nos casos com inflamação e ou infecção agudas, ou estejam estabelecidos no período de duas semanas para as demais situações”, explica a autora do estudo, a assistente social Adriana Aparecida Ferreira Marques.

Os resultados da pesquisa apontam para a necessidade de garantia do acolhimento e da avaliação de risco na atenção básica, além do fortalecimento da regulação da assistência do SUS com atuação orientada por protocolos clínicos e regulatórios. “Somente com essas ações será possível diminuir as complicações das doenças de abordagem hospitalar, o tempo de espera para o tratamento e a sua duração no ambiente hospitalar, assim como o prejuízo na qualidade de vida dos pacientes”, afirma a pesquisadora.

De acordo com Adriana, o Sistema Único de Saúde (SUS) já possui um protocolo clínico de regulação, que é uma espécie de “dicionário” que permite ao médico diagnosticar corretamente cada uma das doenças e dar um encaminhamento específico ao paciente. Por isso, esse primeiro acesso ao sistema (atendimento primário ou atenção básica) deve ser muito preciso para que haja um encaminhamento adequado, com rapidez e efetividade.

Dificuldade de diagnóstico A pesquisadora entrevistou 115 pacientes, sendo 30 com colelitíase, 32 com litíase na via biliar principal, e 53 com neoplasia ampolar e periampolar, para obter informações sobre as consultas e o tratamento, a confiança nos serviços e nos profissionais, a percepção quanto à qualidade de vida e do atendimento nas unidades de saúde e também para saber como esses pacientes conseguiram chegar ao HCFMRP.

O estudo mostra que a demora em encaminhar o paciente ao hospital está ligada à dificuldade de diagnóstico nas unidades básicas de saúde ou nas unidades de pronto-atendimento. “Houve o caso de um paciente tratado durante muitos anos como tendo hepatite, sendo que ele estava com litíase na via biliar. Outro paciente estava com colelitíase, doença que não necessita de internação, mas como houve uma demora muito grande para ele ser atendido, a doença se complicou”, relata a pesquisadora.

Adriana afirma que esse atraso ainda contribui para a solicitação de exames de laboratório e de imagem desnecessários, retarda os encaminhamentos ao hospital, piora a condição clínica do paciente, além de afetar o trabalho, a condição social e a qualidade de vida das pessoas.

Essa dificuldade de diagnóstico foi percebida pelos pacientes. A qualidade de atendimento, a confiança nos profissionais e no serviço foi maior no HCFMRP, na comparação com a atenção básica. A pesquisa mostra que 47,8% deles relataram não se sentir seguros com o atendimento na atenção básica. Já no hospital, 96,8% declararam estarem confiantes com o diagnóstico e tratamento.

O acesso ao HCFMRP foi obtido por meio de rede própria de relacionamento social (médicos, parentes e amigos) por 48 pacientes (41,74%), com tempo de espera para atendimento entre a atenção básica e o hospital de zero a 1.568 dias (mediana de 119) e para o tratamento de 1 a 411 dias (mediana de 39,50). O acesso por meio da regulação da assistência do SUS, também variou de 1 a 1.705 dias (mediana de 134) e o tempo de espera para tratamento variou de 0 a 562 dias (mediana de 42,50).

A dissertação de mestrado O acesso dos pacientes com obstrução biliopancreática neoplásica à rede assistencial pública, hierarquizada e regulada, e suas implicações teve orientação do professor José Sebastião dos Santos e foi apresentada à FMRP em outubro de 2013.

 Mais informações: email  dryferreira1@hotmail.com

Referência: Agência USP de Notícias – Foto: Adauto Nascimento / Banco de Imagens do HRAC

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