Lançado o blog “Fale com o Dr. Risadinha”, Serviço de informação em saúde para crianças, adolescentes, famílias e profissionais da saúde

Imagem 3 Larissa, Fernanda, Claúdio, Profa. Cristiane, Prof. Fabio, Marcos e CristinaPor que desenvolver um serviço de informação em saúde para crianças, adolescentes, famílias e profissionais da saúde?

Como é de conhecimento, a informação científica em saúde, fazendo uso da linguagem, do formato e da forma de disseminação adequados, no contexto clínico, auxilia profissionais de saúde, pacientes e seus familiares a melhorar a condição de saúde, o seguimento da assistência e a resiliência; a prevenir doenças ou seu agravamento; a evitar tratamentos, procedimentos diagnósticos, intervenções preventivas ou referências inapropriadas ou desnecessárias; a reduzir preocupações sobre tratamentos, procedimentos diagnósticos ou intervenções preventivas; e a aumentar o conhecimento de profissionais, pacientes ou de seus familiares. Igualmente, informação em saúde pode auxiliar os gestores da saúde no estabelecimento de políticas públicas adequadas e compatíveis com as necessidades da população. No contexto acadêmico, a informação científica auxilia no desenvolvimento de projetos técnicos e científicos inovadores, na economia de recursos e, além disto, fomenta a competitividade.

O projeto Fale com o Dr. Risadinha está circunscrito principalmente ao contexto clínico, tendo por foco o atendimento de demandas informacionais em saúde de crianças, adolescentes, famílias e profissionais da saúde que atuam no contexto da saúde da criança e do adolescente, privilegiando-se como foco a comunidade do HC-Criança.

 

Logotipo do projeto Fale com o Dr. Risadinha, desenvolvido pelo Dr. Hermes Prado Júnior

 

Quais são os fundamentos científicos para a criação de um serviço de informação em saúde para crianças, adolescentes, famílias e profissionais da saúde?

Um serviço de informação em saúde no contexto clínico é de suma importância para os profissionais de saúde, bem como para os pacientes atendidos e seus familiares. Em relação às necessidades da população e, sobretudo, dos pacientes é importante destacar que sob a égide da transição epidemiológica, do crescimento populacional, do envelhecimento da população, e de uma transição da população para contextos urbanos, com novas formas de consumo, habitação e propostas culturais, situações climáticas e ambientais (MCKEOWN, 2009), há novas problemáticas de saúde para a sociedade que talvez não sejam resolvidas com os conhecimentos tradicionais anteriormente passados e apropriados de geração em geração. Soma-se a isto o fato de estudos internacionais terem observado que as experiências ambientais, emocionais e sociais de uma criança influenciam seu histórico de vida. Tais estudos apontam que crianças que possuem mais acesso à informação de todos os tipos, incluindo informação em saúde, serão aquelas que terão maior sucesso e melhor cuidarão de si ao longo da vida, seja no âmbito pessoal, profissional ou social (NATIONAL RESEARCH COUNCIL, 2000; SHONKOFF, 2003; BURKE et al. 2011). Também se aponta na literatura internacional que mães com melhor educação geram melhores oportunidades de acesso à saúde para seus filhos (crianças, adolescentes e adultos jovens) e possuem filhos mais saudáveis, sendo o acesso à informação em saúde por futuras mães um fator importante para o autocuidado da mulher e para o cuidado de seus filhos (CATTS, LAU, 2008).

Dessa forma, a atenção à criança, aos adolescentes e a seus cuidadores poderá maximizar sobremaneira a qualidade de vida das futuras gerações ao redor do mundo, especialmente nos países pobres e em desenvolvimento, onde o acesso aos recursos informacionais em saúde de qualidade é mais escasso.

Faz-se notar que muitas doenças evitáveis que afetam grandes parcelas da humanidade derivam da falta de informação e/ou da não compreensão da informação disponibilizada. Nesse sentido, as Nações Unidas apontam que, por exemplo, apesar da subnutrição crônica entre crianças ter diminuído, uma em cada quatro crianças ainda é afetada por esta condição. Isso representa cerca de 162 milhões de crianças sofrendo com desnutrição crônica ao redor do mundo. Já a mortalidade infantil foi reduzida para quase metade nas últimas décadas, mas são necessários mais progressos em todo o mundo. A taxa de mortalidade de crianças menores de cinco anos caiu quase 50 por cento, a partir de 90 mortes por 1.000 nascidos vivos em 1990 para 48 em 2012, sendo as doenças evitáveis as principais causas de morte de menores de cinco anos (UNITED NATIONS, 2014). No que se refere aos adolescentes e jovens adultos, dados importantes são apresentados no relatório sobre saúde nas Américas, onde aponta-se que as principais causas de morte nessa faixa etária são: assalto resultando em homicídio (30,34%), acidentes por veículos automotores (17,80%) e suicídio (6,00%) (PAN AMERICAN HEALTH ORGANIZATION, 2012).

Pelo exposto, os profissionais de saúde e a população, incluindo-se aqui pacientes e seus familiares, carecem de informações atualizadas e consistentes em saúde.

Como funciona o projeto Fale com o Dr. Risadinha?

No momento, o projeto envolve pesquisadores de várias instituições que trabalham com informação e tecnologias em saúde, assim como bolsistas da modalidade Cultura e Extensão, bolsistas de iniciação científica e potenciais pós-graduandos. Temos, então, uma forma de funcionamento que envolve uma equipe interdisciplinar com foco em vários produtos e processos.

De forma geral, o projeto Fale com o Dr. Risadinha quando estiver operando 100% será constituído por 5 componentes tecnológicos: um quiosque a ser instalado na recepção do HC-Criança, um sistema de SMS para disseminação de informação por telefones móveis, um e-mail, um blog de acesso livre na Web e um aplicativo para dispositivos móveis. Tais componentes serão empregados em alguns processos informacionais como coleta de perguntas, disseminação de respostas e avaliação do impacto da informação recebida pela população, pois queremos saber como a informação será efetivamente usada por todos.

Por serem vários componentes tecnológicos, estamos trabalhando por etapas. Na primeira etapa, estamos disponibilizando o blog do Fale com o Dr. Risadinha que já está disponível no endereço http://www.drrisadinha.org.br/ No blog, já podem ser lidas perguntas e respostas, bem como podem ser formuladas novas questões para a nossa equipe.

 

Blog Fale com o Dr. Risadinha, disponível em: http://www.drrisadinha.org.br/

Qual é a equipe projeto Fale com o Dr. Risadinha?

O projeto congrega professores do grupo de pesquisa Tecnologias e Informação em Saúde, Profa. Dra. Maria Cristiane Barbosa Galvão (USP-FMRP), Prof. Dr. Fabio Carmona (USP-FMRP), Prof. Dr. Ivan Luiz Marques Ricarte (UNICAMP-FT), Prof. Dr. Pierre Pluye (McGill-FM, Canadá), Prof. Roland Grad (McGill-FM, Canadá) e o Prof. Dr. Cristhof Johann Roosen Runge (UNICAMP-FT); funcionários do HC-Criança, Enfermeira Dra. Iara Pedro (HC-Criança) e Enfermeira Cristina Camargo Dalri (HC-Criança); graduandos, Fernanda Ferraz (USP-FMRP), Larissa Oliveira Almeida (USP-FMRP), Cláudio Vinícius de Assis Rondado (USP-EERP), Guilherme Henrique Ramos da Silva (UNICAMP-FT) e Rafaela Beatriz Silva (USP-FFCLRP), e um funcionário do Hospital das Clínicas, Marcos de Oliveira Alves (HC-FMRP-USP).

Larissa, Fernanda, Cláudio, Profa. Cristiane, Prof. Fabio, Marcos e Cristina, responsáveis, principalmente, pela seleção e disseminação de evidências.

Guilherme, Prof. Ivan e Prof. Cristhof, responsáveis por alguns aspectos tecnológicos do projeto e desenvolvimento do aplicativo para dispositivos móveis.

Prof. Pierre desenvolveu, juntamente com outros pesquisadores, o instrumento para avaliação da informação empregado no projeto.

 

Como a equipe é grande e reside em diferentes cidades, reuniões quinzenais são realizadas a fim de balizar as ações e sanar as principais dúvidas de todos os envolvidos. Além disso, usamos a tecnologia a nosso favor. Trocamos diariamente e-mails ou mesmo realizamos reuniões virtuais quando há necessidade de discussão de assuntos mais urgentes.

Qual o diferencial do projeto em relação a outras iniciativas de disseminação da informação em saúde?

Os diferenciais são inúmeros. Seguimos diretrizes internacionais para a disseminação da informação em saúde. Toda a nossa equipe é treinada em saúde baseada em evidências e isso inclui saber procurar a informação nas melhores bases de evidência disponíveis nacional e internacionalmente, saber sintetizar a informação em poucas linhas e empregar a linguagem mais acessível ao perfil cognitivo da população. Nossas respostas são isentas, ou seja, não somos influenciados pelas indústrias e empresas que vendem produtos e serviços no campo da saúde. Enfim, focamos a qualidade e o livre acesso à informação.

Quais são os resultados esperados?

No contexto acadêmico, pode-se dizer que já estamos alcançando bons resultados. Em julho de 2015, a Profa. Dra. Maria Cristiane Barbosa Galvão (FMRP-USP), tendo apresentado o projeto Fale com o Dr. Risadinha em sua candidatura, foi uma das quatro profissionais selecionadas para representar o Brasil e receber uma bolsa da International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA) e Agencia Española de Cooperación Internacional para el Desarrollo (AECID) para realizar um treinamento internacional que focou processos para a disseminação da informação por meio de dispositivos móveis e outras tecnologias de baixo custo.

Treinamento realizado pela Profa. Dra. Maria Cristiane Barbosa Galvão para a disseminação da informação por dispositivos móveis, em 2015, pela IFLA e AECID.

Já, em outubro de 2015, o projeto Fale com o Dr. Risadinha foi um dos selecionados para representar a Universidade de São Paulo no Congresso de Extensão da Associação de Universidades do Grupo de Montevidéu (AUGM), realizado na UNICAMP, cujo tema foi “A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”. O projeto foi bastante elogiado pelos presentes por viabilizar o empoderamento da população, bem como da cidadania.

Em 2016, os resultados são promissores, já que o projeto foi apresentado no dia 18 de abril de 2016, dia do lançamento do projeto, para a Coordenação do Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil Português, para a Direção Geral da Saúde de Portugal e para a Sociedade Portuguesa de Pediatria, em Lisboa, Portugal. Essa iniciativa indica que desejamos ter cooperação nacional e internacional para o desenvolvimento e consolidação do projeto.

Além disso, no contexto clínico, trabalhamos com ferramentas de avaliação para aferição de resultados que poderá nos evidenciar vários indicadores do uso da informação disseminada, já no primeiro ano do projeto.

Por: Profa. Dra. Maria Cristiane Barbosa Galvão (USP-FMRP) e Prof. Dr. Fabio Carmona (USP-FMRP)

Referências:

BURKE, N.J., et al. The impact of adverse childhood experiences on an urban pediatric population. Child abuse & neglect, v. 35, n.6, p.408-413, 2011. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3119733/ Acesso em: 24 abr. 2015.

CATTS, R., LAU, J. Towards information literacy indicators. Paris: UNESCO, 2008.

MCKEOWN, R.E. The epidemiologic transition: changing patterns of mortality and population dynamics. American journal of lifestyle medicine, v.3(1 Suppl), p.19S-26S, 2009. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2805833/ Acesso em: 24 abr. 2015.

NATIONAL RESEARCH COUNCIL (US). Institute of Medicine (US) Committee on Integrating the Science of Early Childhood Development; Shonkoff JP, Phillips DA, editors. From Neurons to Neighborhoods: The Science of Early Childhood Development. Washington (DC): National Academies Press (US); 2000. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK225557/ Acesso em: 24 abr. 2015

PAN AMERICAN HEALTH ORGANIZATION. Health in Americas. Washington: PAHO, 2012. Disponível em: http://www.paho.org/saludenlasamericas/index.php?option=com_content&view=article&id=9&Itemid=14&lang=pt Acesso em: 24 abr. 2015

SHONKOFF, J.P. From neurons to neighborhoods: old and new challenges for developmental and behavioral pediatrics. Journal of Dev Behav Pediatrics, v. 24, n.1, p.70-76, 2003.

UNITED NATIONS. The Millennium Development Goals Report. New York: UN, 2014. Disponível em: http://www.un.org/millenniumgoals/2014%20MDG%20report/MDG%202014%20English%20web.pdf Acesso em: 24 abr. 2015.

Home      Voltar
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP

Av. Bandeirantes, 3900 - Monte Alegre - CEP: 14049-900 Ribeirão Preto/SP.

acesse nossas comunidades logo_face logo_tw stoa-logo-white TV_Complexo0

Desenvolvido por Xpirit