Investigação sobre doenças crônico-degenerativas busca aplicação prática na saúde

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Estima-se que 60% dos problemas de saúde no mundo – causados, geralmente, por má alimentação, sobrepeso, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo e, em alguns casos, predisposição genética – estejam relacionados a doenças crônico-degenerativas.

Elas modificam o funcionamento do organismo, podendo afetar desde células e tecidos até sistemas. Alguns dos casos mais comuns são diabetes mellitus, osteoporose, mal de Alzheimer, reumatismo, artrite e doenças respiratórias.

Buscando reunir docentes com interesses de pesquisa complementares, associados a diferentes condições não-transmissíveis de caráter crônico que afetam a participação social e a qualidade de vida de seus portadores, surgiu o Núcleo de Pesquisas em Doenças Crônico-Degenerativas (NAP-DCD) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. O núcleo favorece a interdisciplinaridade de estudos ligados aos aspectos de avaliação, prevenção e intervenção nestas doenças, e investiga também o controle motor, as repercussões musculoesqueléticas, cardiorrespiratórias e metabólicas, bem como a avaliação do efeito de diferentes intervenções terapêuticas nos pacientes.

Foto: Marcos Santos

 

Pesquisas

O NAP-DCD trabalha com três grandes linhas de pesquisa. A primeira delas, “Análise dos comprometimentos osteomioarticulares em indivíduos com doenças crônico-degenerativas”, estuda como o envelhecimento populacional altera as principais causas de morbidade neste tipo de doença. Segundo a professora Anamaria Siriani de Oliveira, coordenadora do núcleo, sabe-se que elas exercem forte impacto sobre várias respostas que repercutem sobre o sistema osteomioarticular – responsável pela movimentação e sustentação do corpo – e sobre o controle postural e, portanto, devem ser investigadas. “O questionamento da interferência dessas doenças sobre os aspectos biomecânicos é relevante e pertinente em um contexto no qual se busca a promoção da saúde e prevenção de agravos como meta para a melhoria da qualidade de vida da população”, afirma a pesquisadora.

Tão importante quanto garantir um tratamento adequado aos pacientes, é assegurar-lhes boas condições físicas e psicológicas de convívio com a doença. Por essa razão, um dos focos do NAP-DCD é avaliar o impacto desses problemas sobre a dor, a sensibilização, a qualidade de vida, casos de depressão e parâmetros de examinação e intervenção nas alterações cinético-funcionais.

Foto: Marcos Santos

De acordo com Anamaria, as pesquisas desenvolvidas dão suporte às atividades de prevenção de agravos e promoção e recuperação da saúde, sempre visando a redução da incidência dessas doenças. “Os resultados desse projeto interdisciplinar servirão como base científica para constituir e consolidar um núcleo de excelência em conhecimento sobre o atendimento às condições crônico-degenerativas. Ademais, auxiliará no desenvolvimento de pesquisas de caráter translacional, multidisciplinar e interunidades”, assegura.

Ao contrário dos métodos aplicados antigamente no tratamento destas doenças, que consistiam, principalmente, em intervenções farmacológicas e repouso, a conduta recomendada hoje baseia-se na prática regular de exercícios físicos, não somente como terapia aliada, mas também como forma de prevenção do desenvolvimento e evolução de enfermidades. Contudo, a prescrição e monitoramento de exercícios físicos para pessoas com doenças crônico-degenerativas ainda é algo limitado, sobretudo devido ao pouco conhecimento sobre os mecanismos adaptativos fisiológicos induzidos pelo exercício nessas condições, inclusive no idoso, explica a especialista. “Levando em conta tal escassez de informações, nosso objetivo é estudar os processos adaptativos cardiorrespiratórios, metabólicos e teciduais promovidos pelo exercício físico frente ao envelhecimento e às doenças crônico-degenerativas, completa”.

Sistemas de saúde

O gerenciamento de condições crônicas constitui um dos maiores desafios enfrentados pelos sistemas de saúde de todo o mundo, garante a pesquisadora do NAP-DCD. Uma vez que o impacto de tais condições se estende para pacientes, familiares e profissionais da saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) elaborou, em 2003, um projeto e propôs alguns elementos para compor o manual “Cuidados Inovadores para Condições Crônicas”. No documento, estão reunidos princípios norteadores desse modelo de cuidado: a tomada de decisão com base em evidências científicas, o enfoque na comunidade, nas ações de prevenção, na qualidade, integração, coordenação e continuidade do cuidado.

“Dessa forma, esse modelo está fortemente vinculado ao potencial de translação do conhecimento científico interdisciplinar para a aplicação prática nos serviços de saúde em cada um dos níveis de atenção, incluindo o especializado”, esclarece Anamaria.

No Brasil, entre os anos de 2011 e 2012, foi publicado o “Plano de Ações para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não-Transmissíveis no Brasil”, que visa prover cuidado integral aos portadores das doenças através da organização de uma Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônico-Degenerativas, que tem quatro objetivos centrais: fomentar a mudança do modelo de atenção à saúde, fortalecendo o cuidado às pessoas com doenças crônicas; garantir o cuidado integral às pessoas com doenças crônicas; impactar positivamente nos indicadores relacionados às doenças crônicas e contribuir para promoção da saúde da população e prevenir o desenvolvimento das doenças crônicas e suas complicações.

Mais informações sobre o “Plano de Ações para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não-Transmissíveis no Brasil” podem ser consultadas no Portal da Saúde, do Sistema Único de Saúde (SUS).

Mais informações: https://www.facebook.com/NUPDCD

Referência: Saúde, USP Online Destaque – Por Joana Leal - Foto: Marcos Santos

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