Hipodermóclise, Um método antigo para um novo cuidado

HIPODERMÓCLISENa rotina de um atendimento, seja de qualquer tipo, um paciente será submetido a várias etapas: a espera pela consulta, a dúvida pelo diagnóstico correto e a ansiedade pela resposta ao  tratamento. Dentro desse processo, uma etapa que a princípio pode ser simples e corriqueira, tem potencial de ser estressante tanto para o paciente e seus entes queridos, quanto para a equipe de saúde: a punção de um acesso venoso.

A via endovenosa é amplamente utilizada para a administração de inúmeros tipos de tratamento, desde de um simples analgésico até o transplante de medula óssea. É uma prática desenvolvida por médicos e enfermeiros desde da graduação e aprimorada ao longo de suas vidas profissionais.

O termo “pega uma veia” é uma rotina em qualquer serviço de saúde, especialmente em um hospital de alta complexidade, como o HCRP. Ocorre que por várias razões, alguns pacientes irão apresentar dificuldades para a punção de um acesso venoso periférico. E nestas ocasiões a dificuldade na punção se torna uma angústia para todos os envolvidos, gerando desgaste físico e emocional  e  ansiedade da equipe, pela dificuldade da obtenção de novo acesso.
Dentro desta visão, vários colaboradores do HCRP se dedicaram a estudar uma via alternativa para esta situação a hipodermóclise, um método de punção, com relatos que datam de 1865. A hipodermóclise em ambiente hospitalar ganhou notoriedade para tratamento de pacientes desidratados em 1903, quando a técnica foi demonstrada na Convenção da Sociedade de Superintendentes em Pittsburg (EUA) com base em experiências realizadas em pacientes com desidratação, febre tifoide ou pneumonia. Apesar do nome complexo, a hipodermóclise é basicamente a administração lenta de medicamentos e ou soluções isotônicas através do tecido subcutâneo.

Quando o medicamento é aplicado no tecido subcutâneo, é absorvido pelos pequenos vasos existentes no local que transportam o medicamento para a grande circulação, controlando eficazmente os sintomas a serem controlados. Está técnica tem mais de 100 anos e chegou a ser amplamente utilizada até a década de 40, quanto foi abolida com o crescimento dos tratamentos intensivos. Na década de 70, gradativamente voltou a ser utilizada em países desenvolvidos, especialmente em pacientes em Cuidados Paliativos. No Brasil, seu uso vem sendo difundindo lentamente nos últimos 10 anos.

Conforto e baixo custo

As vantagens são várias. A técnica proporciona maior conforto aos pacientes, baixo custo, com inserção simples. A hipodermóclise é indicada tanto uso domiciliar, quanto hospitalar, e pode ser instalada pela equipe de enfermagem em vários locais de atenção a saúde.
Muito usada em pacientes em cuidados paliativos, a técnica não está restrita somente a este perfil de atendimento, sendo indicada também para qualquer paciente que apresente dificuldade no acesso venoso, como crianças e idosos. Vários tipos de medicamentos podem ser administrados, desde analgésicos simples até antibióticos, tendo com base ampla literatura científica internacional, que comprova sua segurança e eficácia. As contraindicações são poucas sendo que a hipodermóclise não é indicada, por exemplo, situações de emergência, insuficiência cardíaca congestiva, edema grave, desidratação grave e risco de congestão pulmonar.

A hipodermóclise foi implantada oficialmente em janeiro de 2016 após trabalho entre as equipes de Cuidados Paliativos da UE, HC Campus e Hospital Estadual de Américo Brasiliense. Para sua implementação, também contou com o trabalho da Comissão de Educação Continuada da Divisão de Enfermagem e o apoio do Departamento de Atenção à Saúde.

As equipes de cada hospital pretendem ao longo dos próximos meses capacitar médicos, enfermeiros, técnicos e assistentes de enfermagem; ampliando assim o uso da hipodermóclise.

São estratégias como essa, que ampliam o trabalho do HCRP, garantindo um atendimento completo e com dignidade a todos seus pacientes.

Conforto até o fim

A enfermeira da Unidade de Emergência, Rita de Cássia Quaglio atua ativamente na implantação da hipodermóclise no Hospital.
Rita desenvolveu seu projeto de mestrado sobre hipodermóclise no Hospital Estadual Américo Brasiliense, por dois anos ( de 2011 a 2015) e na sua rotina, Rita acompanha vários pacientes usuários da técnica.


E foi a hipodermóclise, uma das ações paliativas que garantiu a dona Dulce, uma paciente de 98 anos, um final de vida tranqüilo e sereno em sua própria casa.

Diagnosticada com síndrome da fragilidade, desde o final de 2015 vinha diminuindo até ter que fazer uso de sonda enteral (equipamento que é inserida na narina e chega até o estomago ). Porem a própria paciente, ainda lúcida, verbalizou que não queria a sonda, pois a mesma fazia muito mal a ela.

Em visita domiciliar,  Rita, explicou para a filha e a cuidadora, como se dava punção e o modo como a soroterapia para hidratação seria absorvida e conduzida à grande circulação. “É muito importante esclarecer o paciente e seus familiares, para que possam participar sempre das decisões de cuidado prestados”, explica a enfermeira. As punções foram realizadas a cada 5 dias.

A família da paciente aprovou a técnica e acha necessário que ela seja divulgada. Rita conta que “a filha também enfermeira, filmou o procedimento para mostrar a seus colaboradores, que estavam muito curiosos para conhecer esta técnica de punção”.

 

Referência: Assessoria de Imprensa HCFMRP-USP

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