Estudos da FMRP-USP demonstram como o óxido nítrico age no equilíbrio orgânico de sais e líquidos

Melina_Da_Silva3Estudos realizados por pesquisadores da USP de Ribeirão Preto demonstram como o óxido nítrico (NO) age no equilíbrio orgânico de sais e líquidos. Sais minerais, como o sódio e o potássio são nutrientes fundamentais para a manutenção da saúde dos organismos vivos.

Quando comemos alimentos muito salgados, como em um churrasco, ou bebemos pouca água, nosso sangue fica concentrado demais. Nesse contexto, nosso organismo apresenta-se, segundo os cientistas, em estado de hiperosmolalidade. O oposto ocorre quando tomamos água demais e ingerimos sal de menos.

As duas situações podem comprometer o bom funcionamento das nossas células. Por isso, o corpo tem formas de controlar a concentração de sais no líquido que percorre nosso organismo.

Esse mecanismo de controle é acionado no cérebro, por neurônios magnocelulares do núcleo supraóptico do hipotálamo – controle coordenado por um grupo específico de neurônios. Eles regulam a produção de dois hormônios: a vasopressina e a ocitocina. Estes hormônios vão até o rim e interferem na filtragem do sangue, alterando a reabsorção de água e a excreção de sódio. Essa ação dos neurônios equilibra a concentração ideal de sal e líquido que fica circulando no sangue e a que se será excretada pela urina.

Mas ainda existem dúvidas sobre exatamente como esse mecanismo funciona. E uma delas foi esclarecida agora, como mostram os resultados da pesquisa publicados na revista norte-americana The Journal of Neuroscience.

O artigo é de autoria da pesquisadora Melina Pires da Silva (foto), seu orientador, o professor Wamberto Antonio Varanda, e colegas do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. A equipe analisou o processo em ratos e observou que, quando a concentração de sais é alta (hiperosmolalidade), o óxido nítrico (NO, substância gasosa produzida pelas células do nosso organismo) atua nos neurônios magnocelulares para inibir a atividade das células e a liberação dos hormônios.

Parece um contrasenso, porque os hormônios são necessários para diminuir a hiperosmolalidade. A hipótese dos cientistas é que o óxido nítrico sirva de freio para não esgotar a produção dessas células. “O freio permite que as células continuem liberando hormônios por tempo prolongado até a concentração atingir os valores normais, e não liberar tudo de uma vez”, afirma Melina.

Outro destaque importante do artigo é a caracterização do óxido nítrico (NO). Pesquisas anteriores já tinham incluído o NO na lista de substâncias neurotransmissoras – responsáveis pela comunicação entre os neurônios -, com a particularidade de ser gasoso.

A pesquisa da FMRP mostrou outra característica: no caso estudado, ele não atua na sinapse – aquele espaço entre dois neurônios – e, sim, diretamente no neurônio. “O óxido nítrico inibe um canal específico da membrana celular, que é o canal HCN”, conta a pesquisadora. HCN é a sigla em inglês para hyperpolarization-activated and nucleotide-gated cation channel.

Mais informações: 16 3315.0416

Referência: Portal de Informações da USP / Ribeirão Preto – Por: Rita Stella, com informações de Ana Paula Chinelli do Núcleo de Divulgação Científica da USP

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