Estudo premiado investiga tratamento com células-tronco para diabéticos

celulas-tronco_001626Estudo sobre o uso de células tronco para tratamento de diabéticos premiou pesquisadora da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto com a edição 2014 do Prêmio L’Oreal Mulheres na Ciência.

Pesquisa do Centro de Terapia Celular (CTC) do Hemocentro de Ribeirão Preto e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP investiga se células-tronco mesenquimais podem ter sido rejeitadas pelo sistema imunológico de pacientes com diabetes do tipo 1.

Essas células são retiradas da medula óssea de doadores saudáveis, cultivadas em laboratório e injetadas sucessivas vezes em pacientes que se tornaram diabéticos recentemente, para manter a produção de insulina pelo organismo.

O CTC é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O estudo de Maria Carolina de Oliveira Rodrigues, que é realizado há três anos, utiliza testes de sangue para verificar a presença de anticorpos que inviabilizam o tratamento, e espera-se a obtenção de resultados dentro de um ano. A pesquisa venceu a edição 2014 do Prêmio L’Oreal Mulheres na Ciência.

As células-tronco mesenquimais ou células estromais mesenquimais (MSCs) são células precursoras encontradas principalmente na medula óssea. É uma população rara de células-tronco multipotentes capaz de oferecer suporte a hematopoese e de se diferenciar em diversas linhagens celulares como os condrócitos, osteócitos, adipócitos e tenócitos. Maria Carolina afirma que estas células conseguem modular ou controlar respostas inflamatórias, além de estimular o reparo de tecidos lesados.

“Os pacientes recém-diabéticos apresentam uma inflamação no pâncreas, que destrói as células beta-pancreáticas, produtoras de insulina. Por isso foi pensado que injetando as células no sangue desses pacientes, elas pudessem migrar até o pâncreas, resolver a inflamação e preservar o funcionamento de restante das células beta-pancreáticas”, diz. “Assim, o paciente poderia continuar produzindo um pouco de insulina, diminuindo a necessidade de injeções diárias de insulina e, possivelmente, reduzindo as complicações crônicas do diabetes, como cegueira, úlceras, problemas nos rins, entre outras”.

Um grupo de oito pacientes submetidos à terapia com sete e oito injeções de células mesenquimais no HCFMRP apresentou uma resposta ruim ao tratamento, que pouco afetou os níveis de insulina. “Essa falta de eficácia já foi relatada por alguns grupos de pesquisa que tratam outros tipos de doença autoimune, enquanto outros grupos relatam sucesso”, ressalta Maria Carolina. “Talvez essas células injetadas tenham sido rejeitadas, já que o sistema imunológico dos pacientes diabéticos é forte e poderia armar uma rejeição dessas células. Em situações em que o sistema imunológico esteja abalado, por quimioterapia ou por doença, essa rejeição seria menos importante”.

Mecanismo de rejeição

A pesquisa com os pacientes é realizada há três anos. Maria Carolina tem realizado testes de sangue de pacientes diabéticos tratados com células mesenquimais quanto à presença de anticorpos contra as células recebidas. “Se esse sangue contiver os tais anticorpos, fica estabelecido um possível mecanismo de rejeição, explicando a falta de eficácia do tratamento”, afirma. “Além disso, testaremos também o sangue de pacientes imunossuprimidos, que têm o sistema imunológico deprimido por alguma razão, que também tenham recebido injeções de células mesenquimais, quanto à presença dos anticorpos”.

Os resultados dos dois tipos de pacientes serão comparados. “Se a análise conseguir mostrar que os diabéticos apresentam anticorpos contra as células e que os imunodeprimidos não apresentam anticorpos semelhantes, contribuiremos muito para as pesquisas com esse tipo de célula. Acredita-se que será possível obter resultados dentro de mais um ano”, ressalta Maria Carolina.

De acordo com a pesquisadora, investigar a falta de eficácia de um método permite corrigir um estudo e “acertar” em um novo estudo. “Poucos pesquisadores têm a oportunidade de tratar pacientes com diabetes e ainda colher o material necessário para a pesquisa”, relata. “Como os estudos seguem a linha de pesquisa iniciada pelo professor Júlio Voltarelli, o trabalho pode contar com uma grande experiência no manejo de pacientes diabéticos incluídos em pesquisas com células tronco”.

Maria Carolina explica que embora existam muitas pesquisas com animais, principalmente ratos e camundongos, é difícil transpor tudo o que é observado nos animais para os humanos. “São organismos muito diferentes e uma vez estabelecido que o procedimento é seguro, parte-se para a pesquisa clínica, com seres humanos”, observa. “Nesse caso, foi preciso dar um passo para trás. Tratamos humanos, mas não funcionou. Agora é investigado o porquê”.

A pesquisa tem a participação das equipes médica e de enfermagem do serviço de transplante de medula óssea do HCFMRP, que acompanham os pacientes, e do Hemocentro de Ribeirão Preto, onde está instalado o CTC.

O Hemocentro é dirigido pelo professor Dimas Tadeu Covas. Colaboram com o estudo os endocrinologistas Carlos Eduardo Barra Couri (adultos) e Raphael Del Roio Liberatore Junior (crianças), os médicos Lucas Coelho Marliére Arruda e Karen Lima Prata, responsáveis pelo isolamento, cultivo e armazenamento das células mesenquimais, e a bióloga Maristela Delgado Orellana, que realizou a cultura das células.

Participam ainda o professor da FMRP, Milton César Foss, que coordena o Laboratório de Endocrinologia, os pós-graduandos Lucas Merliere Arruda e Júlia Teixeira de Azevedo, além da pesquisadora do CTC, Kelen Malmegrim de Farias, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP.

Mais informações: e-mail mcarolor@yahoo.com.br

Referência:  Agência USP de Notícias – Por : Júlio Bernardes

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