Equipe de Cuidados paliativos da UE oferece conforto a pacientes sem possibilidade de cura

Cuidados PalA equipe se reúne em uma sala na Neurologia para discutir os casos de dois pacientes, ambos internados na Unidade de Emergência do HCRP. Um deles é vítima de um grave acidente de moto, jovem e provedor da família, agora é um paciente que depende de cuidados contínuos.

O outro paciente é um senhor de 85 anos que teve um AVC grave e também depende de uma série de cuidados. São pacientes graves, que não poderão mais se recuperar totalmente. Garantir aos dois e a outros pacientes qualidade de vida enquanto vivem é o objetivo da equipe de cuidados paliativos.

A atuação da equipe na Unidade de Emergência tem como objetivo minimizar o sofrimento de pacientes portadores de uma variedade de condições ameaçadoras da vida e seus familiares durante sua passagem pelo serviço. São pacientes de todas as idades, com doenças avançadas que passam por uma fase aguda, pacientes que sofreram AVC, paradas cardiorrespiratória ou traumas graves. A proposta é trazer a realidade da morte para este contexto de emergência e como amenizá-la.

A equipe – Na equipe há profissionais de várias áreas: médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais, farmacêutico e capelão para proporcionar uma assistência mais completa aos doentes e famílias, conforme preconizado pela filosofia de atendimento em cuidados paliativos.

 O mais importante para a equipe de cuidados paliativos é a atenção integral ao paciente, considerando todos os aspectos do adoecimento e seu impactos físicos, sociais, psicológicos e espirituais, tendo como ferramenta a discussão em equipe.

Essas discussões ultrapassam o conhecimento compartimentado para um novo conhecimento sobre a situação do paciente e suas demandas. Nas discussões, são propostas elaboração do plano terapêutico e atendimento de demandas de pacientes e  familiares.

A equipe está disponível para qualquer equipe da Unidade de Emergência durante todos os dias da semana. Além dos pedidos de interconsulta, a equipe também executa busca ativa dos pacientes com perfil paliativo realizando visitas nas enfermarias.

Os profissionais explicam que o ideal é a equipe de cuidados paliativos interceder no tratamento logo que o paciente chega à UE, para definir o plano terapêutico junto à equipe de referência e abordar o paciente e a família.

O tratamento paliativo não está dissociado do tratamento curativo, as equipes atuam simultaneamente. Se o paciente começar a dar sinais de que não está respondendo ao tratamento curativo,  a equipe  de referência é orientada a priorizar condutas para alívio de sintomas, conforto e dignidade do paciente.

Gestão – Outra preocupação do grupo é intervir na questão dos custos hospitalares e na gestão dos leitos.  Neste sentido, o  trabalho pode contribuir para que o paciente permaneça o tempo ideal. Quando o paciente chega e é identificada uma proposta paliativa, as condutas são tomadas no sentido de evitar procedimentos que não vão beneficiar o paciente.

Eles podem ser encaminhados para leito especializado no Hospital Estadual Américo Brasiliense, para hospitais que possuem leitos de longa permanência e convênio com a UE (Guariba, São Simão e Altinopólis) ou mesmo ir para casa contando com apoio da equipe de Cuidados Paliativos do HC Campus, que realiza visitas domiciliares. O resultado é um giro maior de leitos, diminuição dos dias de internação e qualidade de vida dos pacientes.

Mudança de cultura – Outro desafio da equipe é mudar a cultura do manejo da terminalidade de vida dentro do Hospital. Os profissionais de saúde destes serviços muitas vezes sofrem e percebem-se despreparados para lidar adequadamente com situações de morte.

Encarando com realismo a proximidade da morte, é possível oferecer um processo de morte menos doloroso com alívio de sintomas e sofrimento. Nesse contexto,  se torna mais importante ainda a participação da equipe multiprofissional para abordar questões psicossociais e espirituais dos pacientes e seus familiares que precisam ser elaboradas e finalizadas em sua terminalidade.

Referência: Assessoria de Imprensa HFMRP-USP

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