Em entrevista, Profª Drª Cacilda da Silva Souza esclarece dúvidas sobre Câncer da Pele

Cacilda-Souza_001240Jornal Eletrônico: O que é câncer da pele?

 Profª Cacilda Souza: O câncer da pele é o crescimento anormal e descontrolado de células, que a depender do tipo originam diferentes tumores da pele.

 Jornal Eletrônico: Quais os tipos mais comuns de cânceres da pele?

 Profª Cacilda Souza: Há principais três tipos: melanoma, carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular.

 Jornal Eletrônico: Qual a diferença de um câncer da pele melanoma e um carcinoma basocelular (ou um câncer da pele melanoma e não melanoma)?

 Profª Cacilda Souza: Há diferenças das células que os originam, no aspecto, no comportamento e no prognóstico. O melanoma é o mais grave, evolui mais rapidamente e pode se disseminar para outros órgãos, no entanto, é o mais infrequente. Já o carcinoma basocelular é o mais frequente, possui um crescimento mais lento e de invasão local, mas não menos relevante, pois ocasiona sequelas quando da sua remoção cirúrgica, se negligenciado. O carcinoma espinocelular possui comportamento intermediário, pode ser mais ou menos agressivo. Vale ressaltar, que todos os tipos possuem o melhor prognóstico quando diagnosticados precocemente, chegando as taxas de 80 a 90% de cura.

Jornal Eletrônico: O câncer da pele não melanoma pode se tornar um melanoma?

Profª Cacilda Souza: Não, são tipos diferentes, mas o mesmo paciente pode estar propicio a ter vários tumores, já que a exposição excessiva à radiação solar é um risco comum para o desenvolvimento destes diferentes tumores da pele.  

Jornal Eletrônico: Qual é a apresentação clínica do paciente com câncer da pele?

Profª Cacilda Souza: As lesões suspeitas são aquelas que apresentam crescimento rápido, sangram e não cicatrizam. Os sinais de alerta para suspeita do câncer da pele:

  • Crescimento de nódulo, róseo a escuro, que se ulcera e sangra facilmente;
  • Lesão eritematosa, descamativa e sangrante, sem trauma aparente;
  •  “Pinta” ou “sinal” com alteração da cor, tamanho, espessura ou contornos;
  • Crescimento de tecido friável e sangrante sobre úlceras crônicas ou cicatrizes de queimadura.

Jornal Eletrônico: Como saber se é um melanoma?

Profª Cacilda Souza: O melanoma em geral tem coloração escura. Pode surgir e se assemelhar a uma “pinta” ou “sinal” (denominado de nevo) de nascimento. O que distingue uma lesão benigna de maligna é o tamanho, assimetria e irregularidades da forma, bordas e cor, e principalmente na sua mudança de evolução (crescimento rápido, sangramento, prurido)

 Jornal Eletrônico: Ao perceber os sintomas, o que fazer?

Profª Cacilda Souza: Na suspeita do câncer da pele, procurar um especialista da área para consulta médica é a principal conduta. Os especialistas estão habilitados para realizar o exame dermatológico a vista desarmada e com auxílio de instrumentos auxiliares não invasivos e diagnosticar o câncer da pele, ou realizar procedimento (biopsia) para confirmar antes do tratamento.

 Jornal Eletrônico: Como é realizado o tratamento?

Profª Cacilda Souza: A remoção cirúrgica é ainda o principal método de tratamento para o câncer da pele, e em sua maioria, realizada em unidades ambulatoriais. O procedimento é realizado com anestesia local e o controle da remoção é por meio do posterior exame histopatológico. As propostas alternativas não oferecem a possibilidade do controle das margens, não superam as taxas de cura da cirurgia convencional, e devem ser reservadas para casos com impossibilidade da realização do procedimento cirúrgico. Há técnicas mais aprimoradas em que o controle das margens é realizado durante a cirurgia com intuito de preservar tecido sadio e reduzir as taxas de recorrência do tumor.

 Jornal Eletrônico: Quais são os tipos de complicações que podem surgir durante o tratamento?

Profª Cacilda Souza: As principais complicações surgem quando há o diagnóstico tardio e depende do comportamento, velocidade de crescimento e capacidade de invasão de cada tumor. O melanoma, tumores em áreas nobres da face e aqueles de maiores dimensões em extensão ou profundidade exigem mais cuidados no procedimento cirúrgico, nas margens cirúrgicas de segurança e resultam em reparos e cicatrizes mais extensas. 

Jornal Eletrônico: Quais são os principais fatores de risco para o câncer da pele?

Profª Cacilda Souza: A exposição à radiação ultravioleta, crônica ou aguda e intermitente, é a principal causa do câncer da pele. Queimaduras solares na infância e atividades de trabalho e lazer sob o sol estão relacionadas ao surgimento tardio do câncer da pele. Os indivíduos de pele e olhos claros são particularmente susceptíveis aos efeitos da radiação solar.

 Jornal Eletrônico: Idade e/ou Sexo também podem ser considerados fatores de risco?

Profª Cacilda Souza: O potencial efeito da radiação ultravioleta sobre o material genético das células (DNA), sem os mecanismos adequados de reparação, reconhecimento e destruição, pode originar populações anormais de células. Indivíduos idosos, além de acumularem os efeitos da radiação solar, possuem decaimento natural dos processos de reparação e vigilância contra células tumorais. No entanto, o aumento da frequência em adultos jovens tem sido crescente.

Jornal Eletrônico: Fontes artificiais de luz aumentam o risco para câncer da pele?

Profª Cacilda Souza: A radiação ultravioleta artificial das câmeras de bronzeamento possui efeitos semelhantes ao da radiação solar natural. Somente as fontes de luz com emissão de radiação ultravioleta oferecem riscos para o câncer da pele.

 Jornal Eletrônico: É possível evitar o câncer da pele?

Profª Cacilda Souza: Para as crianças, os indivíduos de pele clara, ou aqueles que se expõem excessivamente à radiação solar devem ser adotadas as medidas possíveis de fotoproteção, entre as quais: evitar exposição no período entre às 10 e 15 horas em que há maior intensidade de radiação solar; se necessária, utilizar roupas adequadas, óculos, chapéus ou bonés e filtro solar (FPS>30).

 Jornal Eletrônico: A doença pode ser controlada?

Profª Cacilda Souza: Vale ressaltar, que todos os tipos possuem o melhor prognóstico quando diagnosticados precocemente, chegando as taxas de 80 a 90% de cura.

Os indivíduos em risco devem ser examinados por especialista regularmente.

 Jornal Eletrônico: Sabemos que a Divisão de Dermatologia do Departamento de Clínica Médica da FMRP-USP realiza, anualmente, a campanha de prevenção ao Câncer da Pele em Ribeirão Preto, quais os resultados obtidos durante essas campanhas.

Profª Cacilda Souza: As campanhas anuais de prevenção ao câncer da pele realizadas pela Divisão de Dermatologia no HCFMRP-USP alcançaram a 20ª edição. Nosso estudo da amostra de 4590 indivíduos participantes das campanhas, período de 1999 e 2011, mostrou uma maioria do sexo feminino (58,7%), e idade média de 53,4 anos. Tais resultados corroboram a maior atenção das mulheres para com a saúde e faixa etária adequada para o exame preventivo e detecção precoce do câncer da pele. Nessas campanhas foram diagnosticados 549 casos de câncer de pele (12,1%), que estiveram associados aos seguintes fatores: cor branca, antecedente pessoal e familiar do câncer da pele, idade > 50 anos e sexo masculino. Uma porcentagem superior do diagnóstico do câncer da pele em nossas campanhas, comparada à média nacional observada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, pode expressar maior prevalência regional ou participação mais efetiva dos grupos de risco. O serviço de Dermatologia oferece vagas e agilidade para consultas quando da suspeita de câncer da pele. Adicionalmente, as campanhas de prevenção se consolidaram como mais uma prestação de serviço para a comunidade.

 Jornal Eletrônico: Quais estudos estão sendo desenvolvidos no âmbito da FMRP-USP e que tipo de contribuição eles trazem para melhorar a qualidade de vida dos pacientes acometidos pelo câncer da pele?

Profª Cacilda Souza: Na função de docência- assistencial, os investimentos foram voltados para a incorporação de métodos de excelência para o diagnóstico e tratamento do câncer da pele, tanto quanto no treinamento de especialistas.

As linhas de pesquisa nesta área buscam identificar marcadores associados ao comportamento e à recorrência, e os fatores que modulam a resposta imunemediada nos tumores da pele, o que potencialmente permitiria analisar o risco-prognóstico e o desenvolvimento de novas e individualizadas estratégias terapêuticas.

A Profa. Dra. Cacilda da Silva Souza é docente da Divisão de Dermatologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo

Referência: Jornal Eletrônico do Complexo Acadêmico de Saúde FMRP – HCFMRP – FAEPA – Por: Célia Bíscaro

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